sábado, 23 de janeiro de 2016

Goodbye, Norma Jean.

Preciso de um vestido vermelho. ideias confusas. será que eu vou morrer? medo de viver. da podridão, do desespero. 'não amo ninguém, parece incrível'. ele grita, grita canta grita e morre. será que eu? cabecinha de liquidificador, mastigando segredos. a água do mar tava fria, então vesti minhas botas e voltei pra casa. chovia no rio, mas era verão. no ônibus as velinhas conversavam, a ponte rio niterói sustentava o nosso futuro e eu sorria na foto com ele, dando showzinho ao som de rita lee. 'tá tudo bem'. a água caindo segunda, terça, quarta, a lágrima o suor e o desespero. janelas fechadas. preciso de um vestido vermelho, ou melhor, vintage, rodado, quadriculado e justo. acho que adulta, aí sim, vestida como moça meiga fofinha. acorda, dorme, fede, come, sofre. que exaustão. não faz nada o dia todo. não sente o gosto. arruma a casa. acorda e arruma a sala. o quarto, a cozinha. nunca acaba, parece que nunca acaba parece que quando minha mãe não tá aqui tem sempre lixo na varanda e que eu não dou conta de viver jogando fora. avisei antes, confusão. sobrancelha por fazer, remela no olho, pele descascando. era pra ser o verão perfeito. mas, chove no rio. lama, embrulhos, tristezas remoídas. escorregão. caiu feito jaca madura. ''caramba.. cai?'' caiu. caramba, levanta e tudo cinza, os gatos do quintal se aproximam, um banco, curativos. caramba. levanta, banho quente, remédio e o tempo passa e ano a ano a ano esse vai ser o ano em que eu vou mudar minha vida e ano a ano e muda. sorrindo na foto. se olhando no espelho e chorando. casaco vermelho. tão bonito esse rosto, esse olho, esse nariz. que sensação estranha. feder. que sensação estranha chorar e feder por se sentir tão, tão bonita. que sensação estranha a ausência de euforia que há na superação. ta bem, bonita. próxima pauta. o que fazer com tanta, tanta tanta vida, será que eu vou morrer? o barco explode. antes tinha uma ventania e eu me segurava, respirava fundo e a tempestade ia embora. agora explodiu. ela tava lá dentro. ela tava lá dentro. tava? tava. ele ri da minha cara e diz que eu to mudando, gargalho porque agora é possível morrer, morrer de rir. gargalhando de sono, que sono, que cansaço, que sono, que sonho não tem medo do sono, do sonho, da vulnerabilidade, queria até que viesse, que se ele vem eu faço chá e abro as pernas com carinho, meio lindinha e simpática. ela tava lá. ideias confusas. morta. será que eu vou viver? será que? chove no rio e eu não sinto o gosto de bichinho nenhum faz quase 1 mês. mas ontem comi presunto. hoje deitei no chão e tá tudo bem. que esse ano eu vou viver a minha vida que já tá mudada, que eu vou viver e que já é janeiro e chove chove chove, e eu que arrasto o cadarço do coturno na lama, mas não caio mais. e se cair, levanto, tonteio, desmaio que os gatos se aproximam. eu tenho o quintal. e ela lá, queimando no meio do meu sonho, estamos nos despedindo. será que o passado morreu com o meu medo de viver junto com meu medo de matar e me deu esse buraco no tempo meio sem significado tipo uma angustia de ausência de sentimento? um farelo sem gosto. Um vazio. o nome disso é futuro que chama. pro brinde precisaremos de um vestido vermelho. precisamos de um. de alguns. precisamos dos outros. precisamos de todos. o nome que nego dá é: sair da toca. precisaremos de sol. arruma a cozinha a sala o quarto a área arruma a própria cabeça, limpa, vasculha, chora e inverte a própria lógica. que medo que deu de morrer. de sofrer. de sentir dor. medo de cair só tem quem levanta. Medo de cair só tem quem tá de pé. feliz ano novo, moça nova. moça plácida, moça?  
feliz feliz garota, moça? Mulher, talvez... feliz talvez mulher, moça alguém no portão te chamando "-moça ...trate de ir, tá bém".
tratei de ir sim. tratou de ir indo indo indo ano todo ano mudando todo ano confusa todo ano toda-toda caramba..até que todo ano. até que acabou.  

- moço que tecido bonito. !!!  vê um metro pfv
- vai fazer o que menina, vestido, saia, blusa?
- brindar moço
me amostrar,
cantar, dançar, pular,
seilá moço,
só sei que eu vou.
seilá moço,  
viver.

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